quarta-feira, 25 de junho de 2008

Depois de mais de um ano...

Resolvi escrever aqui, pois, sinto-me na obrigação de narrar os ultimos acontecimentos na minha vida. Até mesmo por uma questão de respeito a todos que costumeiramente frequenta esse meu espaço virtual.

Um momento de lucidez que eu tive e escrevi esse resumo dos dias em que passei sem postar nada... Espero que entenda a essência...

Resumo de algumas coisas....

Construi o monte sinai para ver noé chegar no elicoptero
Saltei as rosas de todos os marrons que haviam naquele azul
Quebrei o encanto do chocolate daquele grego holandês
Corri mas não fugi da branda e fedida impressora de bush

Tentei conciliar a minha ousadia com poema feito de prosa
Sem sentido ficamos nós feito o que pensa que saltou a rosa
Amarelando todo santo feito de sal e mostarda toda teimosa
Corri e quebrei aquilo que construi quando saltei: que corajosa!

Nada disso!
Eu quero comer a prosa feita de poesia em ritmia de versos loucos
Quero uma pitada de sal com cocaina cheirando a sonetos ocos

Não tem forma nem cor, é incolor como preto esverdecido
Mil vezes o velho Zuca do barzinho ainda que envelhecido
Quero o malte escorcês da melhor cerveja alemâ
Vai ver assim você para de recriminar as rimas e a estética da minha vida.
Por isso que esse texto resumi minha vida.

by Francisco Bougardt

terça-feira, 17 de junho de 2008

Só sei...

Que o blog está falido.

sábado, 16 de junho de 2007

Recife- Capítulo 4º

CAPÍTULO 4

O Pervertido seguia pela Avenida Recife como se fugisse do demônio. Ele sabia que iria morrer. As mortes de assassinos, ladrões e de toda essa escória já corria pelo submundo. Alguém estava limpando a cidade. Maurício iria alcancá-lo. Ficava cada vez mais íntimo de seu gol prata 2002. O Pervertido havia reduzido a velocidade. Por quê? Ele não iria parar. Era a chance de alcancá-lo. Uma luz atrás do seu carro o seguia. Era isso. Ele não enxergou a blitz e agora o perseguido era ele. Não adiantava mais correr. Teria de parar e deixar o Pervertido se safar.

- Tava fugindo de que, rapaz?
- Desculpa, eu não percebi que era pra parar.
- Naquela velocidade, quem perceberia?
- Sofri um assalto alguns meses atrás. Tenho medo de andar devagar tarde assim.
- Desce do carro, bora. Pega os documentos.

- Olha, rapaz. Você sabe como é. Só tô fazendo meu trabalho, você sabe que tava numa velocidade muito acima, não sabe?
- Sei.
- E aí? O que você quer que a gente faça?
- O que deve ser feito?
- Uma multa dessas pode sair mais de 500 reais. Mas a gente pode fazer alguma coisa.
- Como assim?
- Não sei, rapaz. Não vou dizer nada.
- Você quer que eu te faça uma proposta?
- Você que tá dizendo. Eu só não acho justo você pagar 500 reais prum governo que não te dá nada em troca.
"Idiota"

Maurício levou a mão em direção ao bolso atrás da calça.

- A única coisa que eu posso te dar é isso.
Com a Taurus em mãos, deu 3 tiros no peito do ladrão. De longe ainda via, pelo retrovisor, a sirene piscando. Perdeu um criminoso, achou outro. Nada mais justo.

sábado, 2 de junho de 2007

Recife- capítulo 3º

CAPÍTULO 3

"Ninguém vive sozinho. Não fomos feitos pra isso. Várias mulheres passaram pela minha vida. Umas nem lembro o nome. Nem o rosto. Outras lembro apenas a nuca. Outras eu nunca vou esquecer. Mas só uma é a mulher que vai estar comigo infinitamente. E é assim com todos. Só existe uma. Talvez até existam mais, porém seria muita sorte, ou azar, achar uma outra. Ela pode não lhe querer. Ela pode lhe trair. Ela pode morrer. É nela que você pensa quando fecha os olhos.

A minha morreu."


Do alto da Sé a vista era soberba. Não era crível imaginar o que se passava lá embaixo. A podridão humana que vagava lá embaixo. Ele pensava se havia alguém ali, vigiando a cidade, quando ela morreu. Se houvesse, esse alguém estava vendo o mar...E o barco ao longe. Ele não conseguia sair da hipnose. Precisava treinar. Mas, para quê? Não, ficaria ali até a hora certa. A primeira bala não poderia ser em uma lata.

Entardecia. Não estava longe. As pedras portuguesas da calçada onde deixara o carro faziam-no tropeçar. A Taurus no cós da calça. Não tinha outro jeito. Entrou na Mata Sete. Sentou na cobertura do túnel. Esperou. O moleque estava lá, pouco depois. Maurício sorriu.

- E aí. Vim buscar aquilo que você me ofereceu. Agora eu quero.

- De quanta?

- Dez. É o suficiente. Também quero bala pra arma que você me arranjou.

- Vai lá onde te levei aquele dia. Isso é com ele. Bata quatro vezes e entre. Quando tu voltar, te dou a pedida.

Bateu quatro vezes e entrou. O sujeito mal levantou a cabeça. A bala atravessou-lhe o olho esquerdo. Maurício saiu em direção à pista. Foi um bom começo.

sábado, 26 de maio de 2007

Recife- capítulo 2º

CAPÍTULO 2

Antes precisava fazer outra coisa. Já tinha sua Gotham City, faltava-lhe o Batmóvel. Precisava buscá-lo. Subiu no ônibus, já estupidamente lotado aquela hora da manhã. Como era quente. Estúpido. Desceu assim que a Ponte do Pina ficou para trás. Não agüentava mais as lamentações que uma velha insistia em contar-lhe. Ainda estava longe. Preferia ir a pé. Rezava para que não houvesse ninguém em casa. Abriu o portão. O porteiro veio cumprimentá-lo. Maurício seguiu como se não o tivesse visto. Entrou pela porta da cozinha. Seguiu, ignorando o espanto da empregada. No quarto pegou o cartão da poupança. Juntava desde os dez anos de idade, a cada presente do avô, a cada centavo que sobrava da mesada, a cada medíocre salário de estagiário. Teria, por fim, sua utilidade. Voltou à cozinha, pegou a chave do seu gol prata.

- Diga que você me viu. Que estou bem. E que mando notícias assim que possível.

Falou sem escutar de volta o que aquela voz esganiçada proferia. Certamente, nada que devesse ser ouvido. Entrou no carro. Estava ali novamente, onde tudo começou. Depois de sacar o dinheiro em uma farmácia, não sabia aonde ir, exatamente. "Mata Sete". Era perto dali. Devia servir.

Aquele lugar causava-lhe repúdio. "Mata Sete". Estúpido. Os ratos fugiam pelos cantos das casas. As crianças também. Olhavam-no como se vissem uma criatura estranha, alienígena. Até que alguém lhe ofereceu.

- Não. Não agora. Quero uma arma. Isso você pode me arranjar?

Devia ter 14 anos. Mandou Maurício acompanhá-lo. Entraram em um barraco escuro, em um beco. O moleque falou algo no ouvido do homem sentado atrás de uma mesa capenga.

Estava tudo resolvido. Maurício seguiu com sua Taurus PT 938, 16 tiros. O homem continuou sentado, contando o dinheiro. Estúpido. Seria a primeira coisa que Maurício iria consertar.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Recife- capítulo 1º

CAPÍTULO 1

Estava frio. Estranhamente frio. Maurício olhou ao redor. Se não fosse o soro enfiado em seu braço, se acharia em um hotel. Lentamente entendeu porque estava ali. Olhou as mãos, estavam limpas. Haviam limpado o sangue dela, que fluiu entre seus dedos como se ignorasse sua insistência em bloqueá-lo. A dor era lancinante, mas ele só pensava nela tremendo convulsivamente, com o sangue a espirrar, embranquecendo aos poucos. Tinha que parar a hemorragia. Por mais que colocasse as mãos sobre o ferimento, o sangue seguia, espesso, entre seus dedos. E agora ele estava ali. Vivo, consciente, limpo, em um quarto de hospital que mais parecia um hotel. O pária: extremamente magro, branco como um fantasma, olhos mortos. Nunca o esqueceria. E estava disposto a reencontrá-lo. Precisava reencontrá-lo. Para vingar-se. Não do pária, apenas. Este era seu objetivo final, o ponto máximo de sua vingança. Vingar-se-ia da cidade.

“Bom-dia. Mais um final de semana violento na Região Metropolitana do Recife. Na madrugada da sexta-feira, dois jovens tiveram o carro roubado na Av. Conde da Boa Vista, no centro da cidade. Maurício Carvalho Almeida, 23 anos, teve o intestino perfurado por uma bala disparada pelo assaltante, e está internado no Hospital Santa Joana. Alice Mendonça,22 anos, morreu antes de chegarem os socorros. O carro foi encontrado abandonado ainda na Conde da Boa Vista. Segundo o delegado Alberto Gós, o bandido deve ter desistido do roubo após ter baleado as vítimas.”
A apresentadora olha para outra câmera.
“Perto dali, nas intermediações da rua Sete de Setembro, um prédio pegou fogo, matando três pessoas, inclusive uma menina de dois anos. O Corpo de Bombeiros ainda está no local.”
A apresentadora olha para a primeira câmera. Sorri.
“Pelo segundo ano consecutivo, o Maracatu Estrela de Ouro vence o festival de dança de Joinville, em...”
Ele desliga.

Durante três semanas ele fingiu. Recebia os pais, os sogros, os amigos. A mãe contou-lhe sobre o enterro de Alice. Choraram. A sogra dizia-lhe, com a mão dele entre às suas, o quanto sofria. Os amigos falavam da faculdade, do trabalho. Então, ele fugiu.

Chovia. A chuva não limpava a cidade, como fazia em Paris, quando os excrementos eram levados ao Sena, séculos atrás. A cidade era inundada de todas as pestilências quando chovia. Ele vagava com nojo. O cheiro podre penetrava-lhe a alma. Seguia incerto, por horas intermináveis. Faltava pouco para amanhecer. Ele pensaria melhor.

Quando o dia nasceu ele estava sentado em um banco, ao lado de Manuel Bandeira. “Como eram lindos os nomes das ruas da minha infância”, este diria. “— O que eu vejo é o beco”, era aquele. Para alegria de Manuel, sua estátua ficava na Rua da Aurora e não na amedrontadora “Dr. Fulano de Tal”, como previra. Maurício olhou para o caranguejo de ferro que se erguia a sua frente. O bicho o ameaçava de morte. Estava decidido. Para iniciar sua vingança, precisava ir até o inimigo, compactuar com ele. Não tinha outro jeito.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Recife- prólogo

(Antes do prólogo de fato, algumas explicações: este é um conto sobre Recife. Será postado aos poucos, em capítulos. Como não terminei, não sei se terá fim. Espero que tenha..e espero q seja um final feliz hehehe)

PRÓLOGO

Não estamos na Chicago dos anos 1940. Não há um plano diabólico por trás dessas mortes. A temperatura não permite o uso de sobretudos. A vida é a cores.

Às três horas da madrugada ele sabia que corria perigo. A cada manchete uma morte anunciada. Ele andava o mais rápido que podia com seu gol prata 2002. Ela pedia para ele ir mais devagar...Não adiantava nada fugir da morte com o risco de ir a sua direção. Ele obedeceu. A Avenida Conde da Boa Vista parecia interminável. Então ele viu: parado, todo de negro, no meio da pista, com uma 9mm apontada na direção do carro.

-Pára, Maurício!- Ela pediu, desesperada. Foi atendida, não havia o que fazer.

Desceram do carro, obedeciam aos comandos do pária. Enquanto ela chorava, apoiada em um poste sujo de publicidades, ele passava carteira, celulares e a chave do carro. Fixava o olhar naquela figura: a magreza lhe era alarmante, talvez estivesse doente; os cabelos escuros desalinhados; uma crosta de fuligem acinzentava a pele clara do fantasma; os olhos eram escuros, frios, mortos; tremiam-lhe as mãos. Estava, certamente, drogado.
O carro engasgou, como se não quisesse obedecer ao seu novo guia. A cólera lhe subiu a cabeça. Mas, este acaso o fez lembrar uma coisa: checar o que havia recebido. A carteira estava vazia. Sem dinheiro ou documentos, exceto por uma carteira estudantil de 1996 com uma foto de Maurício recém-saído da infância. Fora enganado. Não hesitou: saltou do carro com a pistola em punhos e atirou. Seis tiros na direção dos vultos na calçada. Seis tiros certeiros. Quatro nela.