sábado, 26 de maio de 2007

Recife- capítulo 2º

CAPÍTULO 2

Antes precisava fazer outra coisa. Já tinha sua Gotham City, faltava-lhe o Batmóvel. Precisava buscá-lo. Subiu no ônibus, já estupidamente lotado aquela hora da manhã. Como era quente. Estúpido. Desceu assim que a Ponte do Pina ficou para trás. Não agüentava mais as lamentações que uma velha insistia em contar-lhe. Ainda estava longe. Preferia ir a pé. Rezava para que não houvesse ninguém em casa. Abriu o portão. O porteiro veio cumprimentá-lo. Maurício seguiu como se não o tivesse visto. Entrou pela porta da cozinha. Seguiu, ignorando o espanto da empregada. No quarto pegou o cartão da poupança. Juntava desde os dez anos de idade, a cada presente do avô, a cada centavo que sobrava da mesada, a cada medíocre salário de estagiário. Teria, por fim, sua utilidade. Voltou à cozinha, pegou a chave do seu gol prata.

- Diga que você me viu. Que estou bem. E que mando notícias assim que possível.

Falou sem escutar de volta o que aquela voz esganiçada proferia. Certamente, nada que devesse ser ouvido. Entrou no carro. Estava ali novamente, onde tudo começou. Depois de sacar o dinheiro em uma farmácia, não sabia aonde ir, exatamente. "Mata Sete". Era perto dali. Devia servir.

Aquele lugar causava-lhe repúdio. "Mata Sete". Estúpido. Os ratos fugiam pelos cantos das casas. As crianças também. Olhavam-no como se vissem uma criatura estranha, alienígena. Até que alguém lhe ofereceu.

- Não. Não agora. Quero uma arma. Isso você pode me arranjar?

Devia ter 14 anos. Mandou Maurício acompanhá-lo. Entraram em um barraco escuro, em um beco. O moleque falou algo no ouvido do homem sentado atrás de uma mesa capenga.

Estava tudo resolvido. Maurício seguiu com sua Taurus PT 938, 16 tiros. O homem continuou sentado, contando o dinheiro. Estúpido. Seria a primeira coisa que Maurício iria consertar.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Recife- capítulo 1º

CAPÍTULO 1

Estava frio. Estranhamente frio. Maurício olhou ao redor. Se não fosse o soro enfiado em seu braço, se acharia em um hotel. Lentamente entendeu porque estava ali. Olhou as mãos, estavam limpas. Haviam limpado o sangue dela, que fluiu entre seus dedos como se ignorasse sua insistência em bloqueá-lo. A dor era lancinante, mas ele só pensava nela tremendo convulsivamente, com o sangue a espirrar, embranquecendo aos poucos. Tinha que parar a hemorragia. Por mais que colocasse as mãos sobre o ferimento, o sangue seguia, espesso, entre seus dedos. E agora ele estava ali. Vivo, consciente, limpo, em um quarto de hospital que mais parecia um hotel. O pária: extremamente magro, branco como um fantasma, olhos mortos. Nunca o esqueceria. E estava disposto a reencontrá-lo. Precisava reencontrá-lo. Para vingar-se. Não do pária, apenas. Este era seu objetivo final, o ponto máximo de sua vingança. Vingar-se-ia da cidade.

“Bom-dia. Mais um final de semana violento na Região Metropolitana do Recife. Na madrugada da sexta-feira, dois jovens tiveram o carro roubado na Av. Conde da Boa Vista, no centro da cidade. Maurício Carvalho Almeida, 23 anos, teve o intestino perfurado por uma bala disparada pelo assaltante, e está internado no Hospital Santa Joana. Alice Mendonça,22 anos, morreu antes de chegarem os socorros. O carro foi encontrado abandonado ainda na Conde da Boa Vista. Segundo o delegado Alberto Gós, o bandido deve ter desistido do roubo após ter baleado as vítimas.”
A apresentadora olha para outra câmera.
“Perto dali, nas intermediações da rua Sete de Setembro, um prédio pegou fogo, matando três pessoas, inclusive uma menina de dois anos. O Corpo de Bombeiros ainda está no local.”
A apresentadora olha para a primeira câmera. Sorri.
“Pelo segundo ano consecutivo, o Maracatu Estrela de Ouro vence o festival de dança de Joinville, em...”
Ele desliga.

Durante três semanas ele fingiu. Recebia os pais, os sogros, os amigos. A mãe contou-lhe sobre o enterro de Alice. Choraram. A sogra dizia-lhe, com a mão dele entre às suas, o quanto sofria. Os amigos falavam da faculdade, do trabalho. Então, ele fugiu.

Chovia. A chuva não limpava a cidade, como fazia em Paris, quando os excrementos eram levados ao Sena, séculos atrás. A cidade era inundada de todas as pestilências quando chovia. Ele vagava com nojo. O cheiro podre penetrava-lhe a alma. Seguia incerto, por horas intermináveis. Faltava pouco para amanhecer. Ele pensaria melhor.

Quando o dia nasceu ele estava sentado em um banco, ao lado de Manuel Bandeira. “Como eram lindos os nomes das ruas da minha infância”, este diria. “— O que eu vejo é o beco”, era aquele. Para alegria de Manuel, sua estátua ficava na Rua da Aurora e não na amedrontadora “Dr. Fulano de Tal”, como previra. Maurício olhou para o caranguejo de ferro que se erguia a sua frente. O bicho o ameaçava de morte. Estava decidido. Para iniciar sua vingança, precisava ir até o inimigo, compactuar com ele. Não tinha outro jeito.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Recife- prólogo

(Antes do prólogo de fato, algumas explicações: este é um conto sobre Recife. Será postado aos poucos, em capítulos. Como não terminei, não sei se terá fim. Espero que tenha..e espero q seja um final feliz hehehe)

PRÓLOGO

Não estamos na Chicago dos anos 1940. Não há um plano diabólico por trás dessas mortes. A temperatura não permite o uso de sobretudos. A vida é a cores.

Às três horas da madrugada ele sabia que corria perigo. A cada manchete uma morte anunciada. Ele andava o mais rápido que podia com seu gol prata 2002. Ela pedia para ele ir mais devagar...Não adiantava nada fugir da morte com o risco de ir a sua direção. Ele obedeceu. A Avenida Conde da Boa Vista parecia interminável. Então ele viu: parado, todo de negro, no meio da pista, com uma 9mm apontada na direção do carro.

-Pára, Maurício!- Ela pediu, desesperada. Foi atendida, não havia o que fazer.

Desceram do carro, obedeciam aos comandos do pária. Enquanto ela chorava, apoiada em um poste sujo de publicidades, ele passava carteira, celulares e a chave do carro. Fixava o olhar naquela figura: a magreza lhe era alarmante, talvez estivesse doente; os cabelos escuros desalinhados; uma crosta de fuligem acinzentava a pele clara do fantasma; os olhos eram escuros, frios, mortos; tremiam-lhe as mãos. Estava, certamente, drogado.
O carro engasgou, como se não quisesse obedecer ao seu novo guia. A cólera lhe subiu a cabeça. Mas, este acaso o fez lembrar uma coisa: checar o que havia recebido. A carteira estava vazia. Sem dinheiro ou documentos, exceto por uma carteira estudantil de 1996 com uma foto de Maurício recém-saído da infância. Fora enganado. Não hesitou: saltou do carro com a pistola em punhos e atirou. Seis tiros na direção dos vultos na calçada. Seis tiros certeiros. Quatro nela.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

A ARTE DE NEGOCIAR

PAI - Filho, escolhi uma ótima moça para voce casar.
FILHO - Mas pai, prefiro eu mesmo escolher a minha mulher.
PAI - Meu filho, ela é filha do Bill Gates.
FILHO - Bem neste caso eu aceito.
Então o pai negociador vai encontrar o Bill Gates.
PAI - Bill, eu tenho o marido para asua filha.
BILL GATES - Mas a minha filha é muito jovem para casar.
PAI - Mas esse jovem é vice-presidente do Banco Mundial.
BILL GATES - Neste caso tudo bem.
Finalmente o pai negociador vai ao Presidente do Banco Mundial.
PAI - Senhor presidente, eu tenho um jovem recomendado para ser vice-presidente do Banco Mundial.
PRES. BANCO MUNDIAL - Mas eu já tenho muitos vice-presidentes, inclusivemais do que o necessário.
PAI - Mas senhor, este jovem é genro do Bill Gates.
PRES. BANCO MUNDIAL - Neste caso ele pode começar amanhã mesmo.

Moral:

Não existe negociação perdida.
Tudo depende da ESTRATÉGIA.

domingo, 6 de maio de 2007

Primeira postagem do homem de Greiscal

Ola, amigos Blogueiros.

Venho por meio deste, primeiramente, apresentar a todos esse ser que vós escreve.

Sou um jovem simpático, moreno escuro, com cabel0s lisos e loiros com o corte chanel, que mais lembra a imortal: HEBE CAMARGO, corpo atletico e musculoso. Tenho um Felino cujo o nome é Pacato mas quando ergo minha espada de Greiscal e aponto para o mesmo, este se torna Gato Guerreiro, um destemido compenheiro de batalhas...

Agora que todos já me conhecem, explicarei para que vim.

Vim para este redulto de mancebos universitários para mostrar que a insensatez que cativa o mundo e a vontade de esmiuçar as irrelevancias deste, me fez entregar a elementos desconhecidos e neutros para a elevação do meu bem estar.
No entanto, utilizo essa irrelevância trazida pela tecnologia como meio, mesmo que insuficiente e precário, de demonstrar em algumas poucas palavras traduzidas em pensamentos o pouco do que eu penso dessa complexa esfera de pervertidos hipocritas.

Podem-se pensar, que muito do que eu escreverei é puro bulcolismo arcade de um falsório internalta desocupado. Mas garanto de que muitas fábulas destroem a ficção e tornam-se realidade. Assim como muitas das realidades não passam de fábulas factuais. Portanto, dedique-se a interpretar não apenas o que lê mas o que se esconde atrás dessas escrituras virtuais. Quem sabe você não encontra a si mesmo? Ou melhor, quem sabe não foi você mesmo que escreveu?

"Eu tenho a força" by He-Man

sexta-feira, 4 de maio de 2007

O filme Filhos da Esperança: 1-Em seu auge, a Europa descobre um novo problema. 2- O significado do nascimento.

Ontem assisti Filhos de Esperança, filme de Alfonso Cuarón sobre um futuro próximo apocalíptico, mas, diferentemente de outros filmes do gênero, absolutamente palpável. O ambiente é uma Londres em eterno conflito, caótica, amedrontadora, como seriam hoje as grandes metrópoles do mundo periférico, com seus problemas agravados por questões ambientais e constantes ameaça de guerra civil (o que, de fato, existe em vários lugares). A situação da cidade e do mundo de 2027 é apresentada com sutileza, sem apelar para a criação de um cenário futurista ou mesmo extremamente decadente. A violência está nas grades que protegem as janelas do metrô; a guerra está em um Davi de Michelangelo com uma “prótese” na perna esquerda, após ser resgatado de um bombardeio na Itália (o bombardeio não aparece no filme); o clima de armagedon está nos profetas discursando bravatas em púlpitos improvisados pelas ruas; a falta de controle está nas publicidades que alertam sobre a ilegalidade dos imigrantes; a precária situação do planeta está nos cartazes sobre a falta d’água e, o tema central do filme, em uma pandemia de infertilidade na raça humana. Afora todo o brilhantismo técnico do filme, da fotografia à atuação do elenco, queria discutir sobre duas questões essenciais na história do filme, ambas já citadas e bastante distintas, podendo, inclusive, serem lidas separadamente:

1 - No filme o mundo passou por uma série de guerras e cataclismos e, como anunciado na tela instalada nos ônibus, apenas Londres resiste com alguma noção de governo. Apesar do clima de insegurança, sugere-se que o resto do mundo anda muito pior. Aí, milhares de imigrantes entram ilegalmente na cidade, os quais são caçados com afinco pelo exército e polícia. Do lado oposto encontram-se Os Peixes, grupo terrorista que defende o bem-estar dessa população estrangeira. É óbvio que, elevado a proporções dignas dos fins dos tempos, o filme retrata um problema que a Europa atravessa com grandes dificuldades, hoje. Ao longo desses 50 anos de União Européia, o conjunto de países que a integram mostrou-se o mais sólido e pungente do planeta, capaz de conciliar uma economia vigorosa, cidadania e alto nível de qualidade de vida para seus habitantes (o que não acontece nem no pretensioso EUA). De fato, os países mais pobres e desiguais do continente cresceram, modernizaram-se e tiveram grandes avanços sociais quando se uniram às grandes potências européias, caso de Portugal, por exemplo. Mas, a longa história da Europa, que já foi um grande Império, feudos miseráveis, monarquias absolutistas que sugavam as riquezas de suas colônias para grandeza de uma nobreza de poucos, que passou por Hitler, Franco e Stálin e por duas guerras que destruíram seu território, quando pareceu levar ao ápice da civilização (e civilidade), novas questões surgiram. O mundo que um dia lhe serviu de matéria-prima e mão-de-obra escrava também quis participar da festa e até o mundo que um dia dominou a península ibérica mas foi expulso, decidiu tentar um retorno. A Europa recebe milhares de imigrantes latino-americanos, africanos e de origem islâmica. Mas, como sabiamente um dos atuais candidatos à presidência da França lembrou, apesar de toda a grandeza econômica e social, o continente não pode arcar com a pobreza do mundo inteiro. O que acontece é que esses imigrantes não têm especialização para entrar no mercado de trabalho europeu e, mesmo se tivessem, eles são muitos, muitos. Aí a França passa por uma crise de desemprego, Roma vira um festival de mendicância (que desagrada também aos turistas brasileiros, tão acostumados a ela) e o grupo islâmico não se integra à sociedade que há 1500 anos pratica o cristianismo. Carros queimados, tropas de choque, atentados terroristas, cortiços...Se não se achar uma solução, a Europa vai explodir.

2 – O tema central de Filhos da Esperança é a infertilidade da raça humana, tendo havido o último nascimento do mundo há pouco mais de 18 anos. Quando a pessoa mais jovem do planeta (esse que nasceu há pouco mais de 18 anos) é assassinada, o clima de comoção é geral. As mulheres choram, os bares são tomados por gente que quer saber como aconteceu, os programas de TV fazem uma retrospectiva da vida do, com 18 anos, “bebê” Diego. Ao longo do filme, personagens citam como o mundo ficou sombrio sem o riso, a voz e os gritos de uma criança. Eis que surge um milagre: uma jovem está grávida. Não vou me ater ao que levou a isto, mas o fato é que ela é perseguida por um grupo que quer usar o bebê com fins políticos e acaba, já com o bebê no colo, em meio a uma revolução armada. Quando ela, entre os dois lados de um tiroteio, mostra o recém-nascido, tudo pára. Soldados ajoelham-se, fazem o sinal-da-cruz, rebeldes sorriem e tocam no bebê quando ele passa, como se fosse um santo. É difícil imaginar uma situação real onde há mais de 18 anos não nasce nenhuma criança. Mas, vendo o filme, é fácil sentir a emoção de ver o primeiro bebê depois desse tempo. O que quero dizer é que, apesar de todas as diferenças, de todos os conflitos e problemas, de todo preconceito e discriminação, a humanidade ainda é única. E não queremos nos ver extintos. Muita gente fala que, nos dias de hoje, seja pela violência ou pelo caótico estado da natureza, não quer ter filho, não quer colocar um filho “num mundo como este”. Esquecem que, apesar de estar assim, o mundo ainda é nosso. E uma criança que nasça é a esperança de continuidade do Homem, é a nossa eternidade. E, como que pra lembrar que nem tudo está perdido, o filme termina não com uma música acompanhando os créditos finais, como é praxe, mas com o som do riso de várias crianças.

terça-feira, 1 de maio de 2007

" Z '1' "

"mas no fundo tem um jeito simples de simplificar; Só que o simples normalmente é complicado de explicar; é que eu explico sempre a mais e a complicação vem junto; é que eu me explico até demais e até desvio do assunto; Mas é simples: tem coisa que nao tem explicação"
Gabriel O Pensador.

Em momentos de "ócio reflexivo(?!)", deparei-me com uma conclusão: assistimos muito a novelas. Não apenas isso: adotamos o modelo novelesco como padrão das nossas vidas. Quem me garante que a celebre frase "Deus escreve certo por linhas tortas" não foi, na verdade, sugerida por um, digamos, um alemão escritor de folhetins no séc XVIII (ou até mesmo um antepassado de Manuel Carlos??).
Nossa essência é a complicação. Quando nos deparamos com uma dificil situação, por instinto escolhemos o caminho mais tortuoso. A mentira é um típico exemplo: desconheço uma mentira emitida para simplificar algo; sempre mentimos para prolongar a chegada de uma inexorável instabilidade emocional que, certamente, virá de modo mais tormentoso do que se opitassemos pela verdade. Juquinha, indubitavelmente, teria recebido no máximo duas tapas na mão se tivesse dito logo pra sua mãe que quebrou o porta-retrato que sua tia lhe deu; o malandrinho mentiu, a mãe descobriu, deu 5 tapas na bunda dele, proibiu o mesmo de jogar video-game e ainda limitou sua hora de brincadeira na praça para até 19:00 hrs.
Não sou contra a mentira: ele é um dos alicerces das relações interpessoais; o seu uso em abundância é que é nocivo; gera a complicação; a complicação gera pertubações emocionais, com capacidade de destruir um amizade, uma boa relação profissional, o amor de um parente, um rolo com uma boyzinha...etc.
Defendo então, a seguinte atitude: Por que dizer para seus amigos que não vai se encontar com eles para "tumá uma" por que está com uma imensurável dor na raiz posterior do cabelo, dor está que também afetou seu cachorro, como também seu papagáio careca (?!), se você pode dizer simplesmente: "não tou afim meu vei, vou ficar por aqui mermo...novo? xau".