CAPÍTULO 2
Antes precisava fazer outra coisa. Já tinha sua Gotham City, faltava-lhe o Batmóvel. Precisava buscá-lo. Subiu no ônibus, já estupidamente lotado aquela hora da manhã. Como era quente. Estúpido. Desceu assim que a Ponte do Pina ficou para trás. Não agüentava mais as lamentações que uma velha insistia em contar-lhe. Ainda estava longe. Preferia ir a pé. Rezava para que não houvesse ninguém em casa. Abriu o portão. O porteiro veio cumprimentá-lo. Maurício seguiu como se não o tivesse visto. Entrou pela porta da cozinha. Seguiu, ignorando o espanto da empregada. No quarto pegou o cartão da poupança. Juntava desde os dez anos de idade, a cada presente do avô, a cada centavo que sobrava da mesada, a cada medíocre salário de estagiário. Teria, por fim, sua utilidade. Voltou à cozinha, pegou a chave do seu gol prata.
- Diga que você me viu. Que estou bem. E que mando notícias assim que possível.
Falou sem escutar de volta o que aquela voz esganiçada proferia. Certamente, nada que devesse ser ouvido. Entrou no carro. Estava ali novamente, onde tudo começou. Depois de sacar o dinheiro em uma farmácia, não sabia aonde ir, exatamente. "Mata Sete". Era perto dali. Devia servir.
Aquele lugar causava-lhe repúdio. "Mata Sete". Estúpido. Os ratos fugiam pelos cantos das casas. As crianças também. Olhavam-no como se vissem uma criatura estranha, alienígena. Até que alguém lhe ofereceu.
- Não. Não agora. Quero uma arma. Isso você pode me arranjar?
Devia ter 14 anos. Mandou Maurício acompanhá-lo. Entraram em um barraco escuro, em um beco. O moleque falou algo no ouvido do homem sentado atrás de uma mesa capenga.
Estava tudo resolvido. Maurício seguiu com sua Taurus PT 938, 16 tiros. O homem continuou sentado, contando o dinheiro. Estúpido. Seria a primeira coisa que Maurício iria consertar.
sábado, 26 de maio de 2007
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