sábado, 2 de junho de 2007

Recife- capítulo 3º

CAPÍTULO 3

"Ninguém vive sozinho. Não fomos feitos pra isso. Várias mulheres passaram pela minha vida. Umas nem lembro o nome. Nem o rosto. Outras lembro apenas a nuca. Outras eu nunca vou esquecer. Mas só uma é a mulher que vai estar comigo infinitamente. E é assim com todos. Só existe uma. Talvez até existam mais, porém seria muita sorte, ou azar, achar uma outra. Ela pode não lhe querer. Ela pode lhe trair. Ela pode morrer. É nela que você pensa quando fecha os olhos.

A minha morreu."


Do alto da Sé a vista era soberba. Não era crível imaginar o que se passava lá embaixo. A podridão humana que vagava lá embaixo. Ele pensava se havia alguém ali, vigiando a cidade, quando ela morreu. Se houvesse, esse alguém estava vendo o mar...E o barco ao longe. Ele não conseguia sair da hipnose. Precisava treinar. Mas, para quê? Não, ficaria ali até a hora certa. A primeira bala não poderia ser em uma lata.

Entardecia. Não estava longe. As pedras portuguesas da calçada onde deixara o carro faziam-no tropeçar. A Taurus no cós da calça. Não tinha outro jeito. Entrou na Mata Sete. Sentou na cobertura do túnel. Esperou. O moleque estava lá, pouco depois. Maurício sorriu.

- E aí. Vim buscar aquilo que você me ofereceu. Agora eu quero.

- De quanta?

- Dez. É o suficiente. Também quero bala pra arma que você me arranjou.

- Vai lá onde te levei aquele dia. Isso é com ele. Bata quatro vezes e entre. Quando tu voltar, te dou a pedida.

Bateu quatro vezes e entrou. O sujeito mal levantou a cabeça. A bala atravessou-lhe o olho esquerdo. Maurício saiu em direção à pista. Foi um bom começo.

Um comentário:

Anônimo disse...

Quero mais!!!!
=D